Jovem tem voz mas ainda não tem vez para protagonizar eleição em Ilhéus
Exclusivo. É comum, toda eleição municipal, o jovem de Ilhéus defender a tese de que ele pode ser o grande protagonista da democracia, através do voto. O discurso, de fato, revela um jovem mais politizado, com voz. Mas os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que ele ainda não tem vez para decidir. A voz existe, mas não ecoa. O exército que poderia construir essa realidade ainda é pequeno e, pelo andar da carruagem, ainda será preciso muito tempo para o eleitor mais jovem tomar as rédeas dos destinos da cidade.
O domínio eleitoral de Ilhéus está nas mãos de um público mais conservador. A cada 100 eleitores da cidade, 25 estão na faixa etária dos 45 aos 59 anos; 22, entre 25 e 44 anos; 12, entre 60 e 69 anos e 19 entre 25 e 34 anos. Em resumo a cada 100 eleitores de Ilhéus, 79 têm idade entre 25 e 79 anos, perfil de público que comumente não está disposto a “arriscar” muito. É o que aponta um criterioso mapeamento feito pelo vice-prefeito de Ilhéus e pré-candidato a prefeito, José Nazal, que o Jornal Bahia Online teve acesso. A partir dos dados do TSE, ele traçou o perfil do eleitor da cidade.
O jovem tem pouco peso na hora de decidir. Na faixa entre 16 e 17 anos, a cada 100 eleitores, este público representa 0,68% do peso eleitoral. Ou seja, só a cada 200 eleitores, um, neste perfil, escolhe em que votar. Entre 18 e 24 anos, apenas 12 a cada 100 jovens têm direito a voto. Esta realidade reflete, inclusive, nos últimos prefeitos eleitos e no perfil da Câmara Municipal nas últimas décadas. O último prefeito jovem foi na década de 1980, quando Jabes Ribeiro, um professor de cursinho universitário conseguiu chegar ao comando da cidade, na primeira eleição após o regime militar. O mesmo Jabes que, quase 40 anos depois, ainda tem influência no processo eleitoral da cidade.
O atual prefeito, Mário Alexandre, foi eleito aos 44 anos. Jabes foi eleito pela primeira vez aos 30. Mas chegou ao século 21, assumindo a prefeitura, aos 60 anos.
Segundo os dados disponíveis no site do TSE, com base no mês de maio de 2020, Ilhéus conta com 122.806 eleitores, com destaque para a maioria do voto feminino, com diferença a maior de 10%. O estudo dos dados referentes a sexo e grau de instrução considerando os eleitores que apenas leem e escrevem e os que alcançaram o fundamental, médio e superior (completo e incompleto), a concentração está nos que atingiram o ensino médio e superior, também com predomínio do voto feminino.
Nazal refere-se à distribuição dos eleitores, segundo grau de instrução e faixa etária. O mapeamento revela que apenas 11 a cada 100 eleitores têm curso superior. No ensino médio, 29 a cada 100 já concluíram e 13 têm o curso incompleto. Já no ensino fundamental, 4 a cada 100 já completaram. E 22 ainda não concluíram esta fase de formação educacional. Ou seja: a maior parte do eleitor concluiu ou encontra-se no ensino médio. Mulher, em sua grande maioria.
“Esses dados servem para fundamentar a amostra de pesquisas eleitorais e direcionamento de propostas na campanha”, explica Nazal. “O que mais assusta é ver a predominância do voto feminino e, ao mesmo tempo, ver o pequeno aparecimento de candidaturas por parte das mulheres, tanto para o legislativo como para o executivo”, analisa.